20/06/2018

Enderson Moreira é apresentado no Bahia

Enderson Moreira foi apresentado na tarde desta terça-feira

Enderson Moreira foi apresentado na tarde desta terça-feira, na

sala de imprensa do Fazendão. Ao lado de Diego Cerri, diretor


 de futebol, o novo técnico do Bahia teve o seu primeiro contato


 com a imprensa e falou sobre questões importantes, como a


escolha pelo Bahia, as semifinais da Copa do Nordeste, que


começam já nesta quinta-feira, e as dificuldades que a equipe


demonstra para marcar gols e vencer fora de casa.



Enderson chega ao Tricolor com contrato até o final da


temporada e cláusula de renovação. A decisão de trocar o


 América-MG pelo clube baiano, claro, foi assunto na coletiva.


 Segundo o treinador, seu ciclo de dois anos no Coelho já


 estava perto do fim e foi esse um dos motivos para que aceitasse a proposta

feita pela diretoria tricolor.

- Na verdade, foi a primeira vez que tomei uma atitude dessas,


de interromper um trabalho. Foram duas coisas. Acho que o


ciclo com o América-MG estava perto do fim, dois anos no clube.


Temos hoje no futebol uma parada pouco provável, um


recomeço. Todos têm mais tempo do que em uma transição


normal de fim para início de ano. Todos têm tempo para treinar.


 No início da temporada tivemos dez dias de preparação para estrear no Mineiro. Foi justo essa interrupção. O Bahia fez essa escolha pelo Enderson, e eu também escolhi, visualizei aqui uma boa


 oportunidade de desenvolver um bom trabalho. Vi a equipe


 jogando algumas vezes, claro que não com a mesma atenção


que terei agora. Vi grande potencial na equipe para essa


segunda etapa do ano, para terminar de forma positiva. Importante a gente focar as atenções nessa competição [Copa do Nordeste], apesar do pouco tempo. O Cláudio Prattes está aqui, tive uma


 parceria com ele no América-MG. Essa transição vai ser


 tranquila, pretendo mudar algumas coisas, mas sem mudar


radicalmente a forma de jogar. Tenho essa concordância em t


emos de ideia de jogo – afirmou o treinador.


 gente sempre pretende continuar as coisas. Mudou a


percepção de uma oportunidade interessante. Sou de Belo


Horizonte e estou abrindo mão de viver minha vida na minha


 casa, com meus filhos, minha esposa. Muita gente aponta ser questão financeira. Mas tomar café todo dia em casa com sua família não tem preço. Aceitei por gostar de desafios.


Assumi o América-MG e ele estava na última colocação,


rebaixado virtualmente com oito pontos em 15 rodadas.


 Vi uma possibilidade, um desafio. Naquele ano fizemos


uma remontagem. Vejo no Bahia uma grande oportunidade.


 Sou movido a desafios.




nderson também foi perguntado sobre aquele que talvez seja o principal problema do


Bahia na temporada: o desempenho fora de casa. Como visitante, o Bahia perdeu t


odos os cinco jogos que disputou. Para ele, o segredo é entender o jogo e “explorar


a situação”.


- Acho que isso é um processo, costumamos falar que o Brasil é um país de


 dimensões continentais. Tem muita coisa que interfere na partida fora de casa. Só que


m viaja muito que percebe. A equipe precisa maturar um pouco, entender o que é


jogar fora de casa. O que fazemos bem aqui... A gente só vê o outro lado. A equipe


que vem jogar aqui vem com pé atrás, sabe que vai ser difícil. Que a gente possa


 entender e controlar a partida fora de casa. Nem é ser protagonista em termos de


posse de bola, mas saber explorar bem a situação, segurar bem o jogo, equilibrar o


momento. Às vezes toma um gol fora e quer sair de qualquer forma para buscar o


 empate. A gente precisa fazer as coisas de forma gradativa. Às vezes sai, toma o gol


e encerra as chances de se recuperar. Temos que montar boas estratégias para


 conquistar os três pontos, sempre nosso objetivo – avaliou o treinador.


Enderson já faz sua estreia no comando técnico do Bahia nesta quinta-feira, quando


enfrenta o Ceará, primeiro jogo das semis do Nordetão. O jogo da volta, em Salvador,




está marcado para terça-feira.


confira outros trechos da

entrevista de Enderson Moreira.
Elenco familiar
- Já tem alguns atletas que conheço, com quem trabalhei. Tive oportunidade de

conviver um pouco. Por exemplo, o Elton era jogador do sub-23 do Inter, o Léo


 também no Fluminense. A primeira partida dele no profissional foi na minha


gestão. Tem vários outros atletas. A gente sabe do potencial, tive contato com


 Mena, Edson. O Jackson acompanhei de perto no Inter e no Goiás. O Élber


 foi jogador de meu auxiliar. Futebol a gente conhece todo mundo. Tenho


expectativa boa, a equipe é talentosa, tem muita coisa positiva. A gente vai ter


 que mudar alguma coisa, mas vejo grande potencial no elenco. Que a gente


possa buscar sempre fazer grandes apresentações e, acima de tudo, que nosso


 torcedor possa se entusiasmar com a equipe. Esses são nossos objetivos na


temporada.


Desempenho em grandes equipes

- Muito relativo falar o que não deu certo. No Grêmio tivemos seis meses de trabalho

, caímos em um grupo que era o mais difícil da Libertadores. O que aconteceu muito


 é que chegamos em momentos financeiramente complicados para os clubes. O


Santos foi um desmanche atrás de outro. Sempre um ou dois jogadores estavam


rompendo contrato na Justiça. O Grêmio passou por grande mudança no período


 que cheguei. Abriu mão de jogadores experientes, Grohe virou titular, Luan estava


estourando a idade no sub-20 e começou a ter oportunidades. Tivemos Dudu,


Rodriguinho. Nossa equipe era qualificada. O Fluminense tinha Scarpa, Marcos


Junior. Acontece que a gente só avalia o trabalho como bom quando há conquistas.


 No Brasileiro são 20 clubes, apenas um é campeão. Será que os outros 19


trabalhos são ruins? Quem está no meio da tabela com orçamento baixo não é


bom? O trabalho só é bom quando levanta a taça. Temos que avaliar outras coisas. Tenho orgulho dos trabalhos que fiz. No Atlético-PR fiquei pouco tempo, mas meus outros trabalhos foram bons, com revelações de atletas. O que me fez entusiasmar com a proposta do Bahia é que o clube estruturado. Sabe bem os passos que quer dar. Assim como foi o América-MG e o Goiás. Não está fazendo loucura. Está fazendo o que pode ser feito. Isso me entusiasma, poder dar estabilidade em questões como organização, financeira, para caminhar bem, sem se preocupar com outras coisas que atrapalham, como falta de pagamento, não cumprir coisas que foram anteriormente acordadas. Isso interfere no trabalho. Por isso a escolha pelo Bahia. A certeza pelo caminho, que é sem volta no futebol, da organização,


profissionais que possam fazer com que as coisas caminhem no rumo certo.




Pressão

- Pressão é natural em qualquer lugar. Claro que aqui é enorme. O Bahia tem

 uma torcida apaixonada, vai ao estádio, apoia o clube, incentiva. Todos querem


 conquistas, vitórias. Todos sabem disso. Temos que saber não deixar que essas


 cobranças nos atrapalhem, conviver de forma positiva. Temos que estar abertos


para as críticas positivas. O que é destrutivo não serve. Cada um tem direito a dar sua opinião, vamos respeitar e caminhar sem que isso interfira no nosso dia a dia. Tenho tranquilidade nesse aspecto.


Muitas chances, poucos gols

- Criar é difícil, concluir também. Mas uma equipe que não cria está mais distante

 de conseguir bons resultados do que uma que cria e não consegue concluir.


 Vamos fazer intervenções, mostrar detalhes que façam com que eles marquem


gols e construam jogadas.


Aos poucos o jogador retoma a confiança. É uma equipe ofensiva, busca o gol o jogo todo. Isso é um detalhe importante, temos que saber que só com o passar do tempo e com confiança é que vamos mudar.


Média de idade do elenco

- Temos uma mescla interessante. O Bahia tem um elenco equilibrado. Os jovens

não são tão jovens. Não tem 17 ou 18 anos. São jogadores com 21, 22, 23, são


 mais rodados. Já não são tão meninos. Têm maturidade para ter entendimento do que é o jogo.


Titulares e reservas

- Vejo a titularidade mais como uma coisa de momento do que qualquer outra coisa. No Brasil o jogador ou é titular ou é reserva. Temos quase 40 jogos pela frente na temporada. Vamos ter que utilizar todo o elenco. É natural. As distâncias percorridas são as mesmas de

 antigamente, mas hoje a intensidade é maior. Podemos ter problemas de atletas


que não consigam se recuperar para o jogo seguinte. Por isso é importante ter um


elenco qualificado, que possa dar resposta positiva. Espero que possamos ter


competitividade. A competitividade é uma palavra importante. Que o jogador


 entenda que a qualidade técnica tem que estar dentro de um contexto de


competitividade. Isso é o que vamos buscar diariamente.